Novo processo de criação! Estreia: setembro/2026

A CASA DO TAMANHO DO MUNDO

Dois irmãos, Irene e Márcio, estão confinados em uma parte da própria casa. Depois que o irmão escutou um som estranho vindo de um cômodo da casa, os dois precisaram se isolar em uma parte menor, um misto de depósito e laboratório, onde Irene cultiva terrários conectados a um sistema de pesquisa de som. Nesse espaço reduzido, os dois permanecem em estado de alerta constante, sem saber ao certo o que provoca os ruídos que escutam. Aprisionados na própria casa, se movem entre a curiosidade e o medo. No tempo que resta aos dois ali, as memórias de uma vida toda eclodem como os sons e as presenças que anunciam a urgência de um novo tempo.

O espetáculo A Casa do Tamanho do Mundo é o novo projeto do grupo Teatro Máquina, de Fortaleza, em coprodução com o Atelier Rural, do artista Alexandre Veras. Nesse espaço, espécie de laboratório audiovisual multifacetado que cruza tecnologia e práticas ecológicas com sede em Cascavel, a 40 minutos de Fortaleza, o grupo vem se reunido em imersões criativas aos finais de semana e lá tem desenvolvido parte do trabalho de encenação, ao mesmo tempo em que pode experimentar luz e som com os aparatos técnicos do estúdio de foley, que também se torna uma sala de ensaio e de práticas corporais com ótimas condições técnicas. O projeto também ocupa o Ateliê de Elson Brito no Palácio Progresso, no Centro de Fortaleza, experimentando a possibilidade de uma sala de ensaio imersiva para realizar os trabalhos de dramaturgia e de atuação de forma mais detida.


O projeto nasce de um triplo desejo: trabalhar com o real maravilhoso dos contistas latino-americanos, aprofundar a criação de uma ficção científica para fabular futuros e pesquisar o teatro como uma experiência de imersão visual e sonora. Para a criação da dramaturgia, nos inspiramos na tensão compositiva invasão versus expulsão, presente no conto “A Casa Tomada” de Julio Cortázar. Essa tensão se apresenta como protoforma mítica para nossa ficção para assim construirmos nossa ação contaminados também pela produção de outros autores e autoras do realismo maravilhoso latino-americano, a fim de experimentar um cruzamento desse gênero com a ficção científica. O tratamento político à questão da propriedade se dá subterraneamente, à medida em que o que ocupa a casa é a mesma força que apresenta aos seus habitantes a urgência de reconhecer nos problemas do presente resposta e reparação às ações do passado. Em A Casa do Tamanho do Mundo, o Teatro Máquina aprofunda os projetos de Paraíso (2019) e Movediça (2023), para fazer sentir e pensar junto com seu público possibilidades de futuro através do teatro, levando-o a ser perturbado por narrativas de contaminação interespecíficas (Tsing) que reúnem e embaralham experiências cultivadas em bolsas de histórias (Le Guin) para que os problemas sigam nos colocando problemas (Haraway). 


Fabular o futuro a partir do fantástico latino-americano é a forma que o Teatro Máquina vem perseguindo nessa nova produção, a fim de conceber mundos em que a espécie humana seja uma entre tantas a mobilizar imaginações políticas e não a única.

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A encenação acontece em um campo de jogo limitado, íntimo e relativamente autônomo, no qual a narração, o diálogo dramático e experiências visuais e sonoras radicais se apresentam como desvios contranarrativos a regimes espetaculares que ainda se ancoram no conflito e na jornada do herói.


O campo de jogo limitado se configura em um espaço de cerca de 3 metros quadrados demarcado por um carpete e composto por uma pequena mesa de apoio, uma mesinha, algumas caixas de papelão, uma cadeira e um banquinho. Ao mesmo tempo quarto e laboratório, sombral e antesala, esse espaço é onde Irene, uma das personagens, cultiva seus terrários e desenvolve um sistema de escuta da casa. Para tanto, quatro caixas de som são vistas nos cantos do que a cenografia delimita como parte da casa, com cabeamento intencionalmente aparente que se conecta ao músico, ao seu computador e sua planosonância, ao mesmo tempo em que um fone de ouvido e um gravador também é fonte de pesquisa para as sonoridades que têm interessado Irene. 


As luminárias de pé e de mesa dão relativa autonomia cênica ao espaço, já que na segunda metade do espetáculo a iluminação vai depender desses dispositivos,  demarcando os pequenos focos que revelam o que vem tomando a casa. A ideia é que se conforme assim uma certa independência dos refletores do teatro, o que cria intimidade e redimensiona a realidade vivida pelos irmãos.


Os atores travam entre si e com o público um jogo de narração e ação, mediado por sonoridades amplificadas em tempo real. Pretendemos compartilhar com a plateia uma experiência sonora, sobretudo, mas também visual, na qual o tempo é subtraído de sua qualidade cronológica.

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52 sacos de chá secos. no potinho todo o chá que retirei de cada um dos 52 sacos. vão virar substrato pros terrários da irene e com os papéis vou fazer umas folhas do futuro cheias de passado. 

13 de abril - inicio do trabalho de guardar os saquinhos de chá tomados. 
13 de julho - 52 chás de vários sabores, várias marcas e vindos e/ou tomados em várias partes do mundo (buenos aires, lisboa, paris, fortaleza, londrina). 

não pensei em abrir quando fizesse três meses exatos. me liguei da data agora, depois de abrir cada saquinho usado. achei mistério do planeta.
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