Sinopse
Dois irmãos se fecham em um pequeno cômodo depois que algo parece ter tomado parte da casa onde vivem. Márcio anota tudo o que vê, enquanto Irene experimenta e registra, em seu laboratório de escuta da terra, possíveis alianças entre diferentes espécies. À medida que a falta de energia se repete e ruídos vindos de baixo do chão passam a ocupar o espaço, histórias passadas começam a emergir, e os dois irmãos acompanham os sinais que atravessam esse espaço provisório. A casa, síntese de um cosmos particular, revela os mundos sobre os quais foi erguida, deixando entrever as marcas de uma catástrofe em curso.
Currículo
2026 - Estreia no Cineteatro São Luiz, Fortaleza (CE); Temporada no Banco do Nordeste Cultural, Fortaleza (CE)

1/12
Concepção Cênica
O espetáculo A casa do tamanho do mundo é o novo projeto do grupo Teatro Máquina, de Fortaleza, em coprodução com o Atelier Rural, do artista Alexandre Veras. Nesse espaço, espécie de laboratório audiovisual multifacetado que cruza tecnologia e práticas ecológicas, com sede em Cascavel, a 40 minutos de Fortaleza, o grupo desenvolveu parte do trabalho de dramaturgia e de encenação, ao mesmo tempo em que pôde experimentar luz e som com os aparatos técnicos do estúdio de foley, que também se tornou uma sala de ensaio e de práticas corporais com ótimas condições técnicas para os finais de semana de residência artística. A criação também aconteceu no Estúdio de Elson Brito, no Edifício Palácio Progresso, no Centro de Fortaleza, no qual o grupo montou um espaço de ensaio imersivo para o desenvolvimento do trabalho de atuação e de som de forma mais detida.
O projeto nasceu de um triplo desejo: fabular futuros em uma criação dramatúrgica que faz mundos com o real maravilhoso latino-americano; pesquisar o teatro como uma experiência de imersão visual e sonora; e investigar práticas de atuação com o fantástico de forma contaminada. Para a criação da dramaturgia, nos inspiramos na tensão compositiva que há entre invasão e expulsão, presente nos contos A casa tomada, de Julio Cortázar, e A respiração cavernosa, de Samanta Schweblin, como protoforma mítica para nossa ficção. Com material dos dois contos, construímos a ação da peça, que conversa também com narrativas e discussões ecofeministas, a fim de experimentar um cruzamento do real maravilhoso latino-americano com a ficção científica.
Neste novo trabalho, o grupo fabula futuros a partir da ideia de catástrofe ancestral trazida por Elisabeth Povinelli para encenar não uma catástrofe por vir, mas uma catástrofe que está em curso, se desdobrando no presente. Essa autora defende que ela começa nas despossessões e extrações coloniais das grandes navegações europeias e continua atravessando a terra, os corpos e as formas de vida. Como uma cicatriz que não fecha, ela deixa à vista a violência de um projeto liberal que tenta escapar das marcas e da toxicidade que ele mesmo produz.
Em A casa do tamanho do mundo, o Teatro Máquina aprofunda os projetos de Paraíso (2019) e Movediça (2023), para fazer sentir, ouvir, ver e imaginar, junto com seu público, possibilidades de futuro através do teatro, levando-o a ser perturbado por narrativas de contaminação interespecíficas (Tsing) que reúnem e embaralham experiências cultivadas em bolsas de histórias (Le Guin) para que os problemas sigam nos colocando problemas (Haraway).
Os artistas Alexandre Veras, Diogo Costa, Frederico Teixeira, Raro de Oliveria e Walter Façanha, parceiros do grupo em muitos trabalhos, também se somaram a esse projeto.
O projeto nasceu de um triplo desejo: fabular futuros em uma criação dramatúrgica que faz mundos com o real maravilhoso latino-americano; pesquisar o teatro como uma experiência de imersão visual e sonora; e investigar práticas de atuação com o fantástico de forma contaminada. Para a criação da dramaturgia, nos inspiramos na tensão compositiva que há entre invasão e expulsão, presente nos contos A casa tomada, de Julio Cortázar, e A respiração cavernosa, de Samanta Schweblin, como protoforma mítica para nossa ficção. Com material dos dois contos, construímos a ação da peça, que conversa também com narrativas e discussões ecofeministas, a fim de experimentar um cruzamento do real maravilhoso latino-americano com a ficção científica.
Neste novo trabalho, o grupo fabula futuros a partir da ideia de catástrofe ancestral trazida por Elisabeth Povinelli para encenar não uma catástrofe por vir, mas uma catástrofe que está em curso, se desdobrando no presente. Essa autora defende que ela começa nas despossessões e extrações coloniais das grandes navegações europeias e continua atravessando a terra, os corpos e as formas de vida. Como uma cicatriz que não fecha, ela deixa à vista a violência de um projeto liberal que tenta escapar das marcas e da toxicidade que ele mesmo produz.
Em A casa do tamanho do mundo, o Teatro Máquina aprofunda os projetos de Paraíso (2019) e Movediça (2023), para fazer sentir, ouvir, ver e imaginar, junto com seu público, possibilidades de futuro através do teatro, levando-o a ser perturbado por narrativas de contaminação interespecíficas (Tsing) que reúnem e embaralham experiências cultivadas em bolsas de histórias (Le Guin) para que os problemas sigam nos colocando problemas (Haraway).
Os artistas Alexandre Veras, Diogo Costa, Frederico Teixeira, Raro de Oliveria e Walter Façanha, parceiros do grupo em muitos trabalhos, também se somaram a esse projeto.
Ficha técnica
Direção: Fran Teixeira Assistência de direção: Loreta Dialla Dramaturgia: Fran Teixeira e Teatro Máquina Elenco: Aline Silva/Loreta Dialla, como Irene; Márcio Medeiros, como Márcio; A Pessoa Bob, como Casa Produção: Fran Teixeira e Levy Mota Desenho de som e paisagem sonora: A Pessoa Bob e Alexandre Veras Cenografia: Alexandre Veras, Fran Teixeira e Fred Teixeira Assistência de cenografia: Ana Vitória Almeida Figurino: Diogo Costa Iluminação: Walter Façanha Ilustrações e projeto gráfico: Raro de Oliveira Fotografias: Levy Mota
