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2025

Resumo da Ópera

Resumo da Ópera nasce como projeto durante a pandemia de Covid-19, em um Brasil sob um governo autoritário de extrema-direita. Nosso desejo era trabalhar em coletivo, em multidão, como operários, contra o nacionalismo que se instaurava. Para isso, escolhemos O Guarani, de José de Alencar, como ponto de partida. Mas isso era só o começo.

Vídeo

De onde nasce o filme?

Existe um projeto chamado Brasil. Iniciado na invasão dessa terra, esse lugar foi se tornando o Brasil que hoje pisamos. E não só pisamos, como acabamos por perpetuar a sua construção arraigada nas nossas maneiras de existir. Essa construção foi também arquitetada para que se estabelecesse como nação.

Na segunda metade de séc. XIX o Brasil se fortaleceu na construção da identidade nacional, através do fomento programado à criação e circulação de expressões artísticas. Como destaque, o aparato da tecnologia da informação, criando um capitalismo editorial para difusão geográfica e idealizada de um protobrasileiro e de um protobrasil. Assim, essas linguagens artísticas unificadas nos campos de intercâmbio e de comunicação faziam surgir uma espécie de hegemonia cultural. Distinto de outros projetos de nação, como o alemão, por exemplo, que se volta em parte contra a hegemonia cultural francesa, no Brasil, diferente de todas as experiências latinas, a nação se forja em um romantismo com curadoria da Coroa Portuguesa. Na nossa protonação, o Iluminismo não inspira radicalmente nem a retórica nem a ideologia republicana.

Na arquitetura da nação, romântica e afrancesada, propositadamente passaram despercebidos diversos pontos constitutivos do Brasil. Todos inventados por um projeto unificador embebedado em sangue. O genocídio ameríndio, por exemplo. As Entradas e Bandeiras saqueadoras. A abolição tardia da escravidão. A manutenção do patrimônio das oligarquias. Uma dessas arquiteturas é a música de Carlos Gomes, a partir do romance de José de Alencar.  A música de abertura de O Guarani se perpetua sobre as nossas cabeças e nos lembra que Peri e Ceci continuam vivos. Não somente eles, como também uma vasta imensidão de permanências.

No barraco da Constância tem! e Teatro Máquina se juntam pretendendo ficcionar a produção grandiosa de uma obra complexa. Para tanto, desejam estudar o que a gera, o que a sustenta, o que a promove, o que a produz. A ópera cumpre seu papel em excesso, em pathos e nas possíveis fusões e convivências entre teatro e música como gêneros disparadores da criação. Nesses últimos anos, à medida em que uma terrificante faceta nacionalista incidiu como um alerta, passamos a desconfiar de quando foi inventada essa nação. E nos perguntamos, como operários dessa construção, o que podemos fazer.

Queremos caminhar em direção a novidade do não, nascida da desconfiança das fabulações que inventaram para nós. Acreditamos na relevância e na urgência de um projeto que se propõe como mão de obra para revolver da terra as ruínas dos pilares sobre os quais se ergueu a ideia de um Brasil que não se sustenta mais e que precisa ser reinventado. Queremos rasgar um buraco no tempo. Refazer os românticos. Recriar quadros, escritos, quadrados, livros, libretos, bandeiras e hinos. Lançar sobre a terra. Propor que se reescreva a história. Que se coloquem outras importâncias no lugar das representações da nossa pátria. O terceiro míssil sobre o terceiro mundo.

Mas, para isso, é necessário imergir nesse imaginário, entender o como e o porquê de O Guarani ter encabeçado um projeto nacional, investigar mais a fundo o projeto de criação dessa nação. Acreditamos durante muito tempo em toda essa narrativa inventada para nos fazer ecoar em uníssono a voz dos obedientes, dos amantes da pátria, dos filhos da ordem e do progresso. Precisamos retirar os símbolos das suas condições dogmáticas. Lançar sobre a terra. Propor que se reescreva a história, já que nunca fomos brasileiros. Tampouco ocidentais.
Não desejamos remontar uma nação, mas reler a nossa e refazer outro possível. Estudar profundamente a arquitetura desse país e os seus símbolos nacionalistas, averiguando o seu caminho e inventando novas narrativas a partir da sua estrutura tortuosa.

Imagens

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28ª Mostra de Cinema de Tiradentes – Mostra Aurora (Tiradentes, MG)

13ª Mostra Tiradentes SP – Mostra Aurora (São Paulo, SP) 

Quarta Kuir Cinema – (Belo Horizonte, MG)

Verbo 2025 (São Paulo, SP) 

9º Festival Ecrã (Rio de Janeiro, RJ)

35° Cine Ceará — Mostra Olhar do Ceará (Fortaleza, CE)

33° Festival MixBrasil — Mostra Reframe (São Paulo, SP)

Prêmios

Menção Honrosa no 33° Festival MixBrasil

Ficha técnica

Direção Honório Félix e Breno de Lacerda

Elenco Ana Luiza Rios, Ayrton Pessoa Bob, Clau Aniz, Felipe Damasceno, Levy Mota, Loreta Dialla, Marta Aurélia, Renan Capivara, Sarah Nastroyanni, Vitor Cozilos Vitor e William Pereira Monte

Vozes adicionais Breno de Lacerda e Honório Félix 

Roteiro e dramaturgia Honório Félix

Direção de fotografia Breno de Lacerda

Trilha sonora original Vitor Cozilos Vitor, Ayrton Pessoa Bob, Clau Aniz e Marta Aurélia

Pós-produção de trilha sonora Vitor Cozilos Vitor

Produção executiva William Pereira Monte, Caroline Louise e Loreta Dialla

Produção de set Ana Carla de Souza

Produção de finalização Caroline Louise e Pedro Diógenes

Gaffer Raí Santorini

Figurino Ruth Aragão e Diogo Costa

Assistência de figurino Wendy Mesquita

Maquiagem Bárbara Banida

Assistência de maquiagem Lili Coelho e Nanda Banana

Cenografia Fred Teixeira e Hector Isaias

Assistência de cenografia Falcão

Montagem Mariana Nunes Gomes

Correção de cor Pedro Dulci

Edição de som e mixagem Victor Jaramillo

Gravação de ADR Douglas Gama

Supervisão de ADR Victor Jaramillo

Edição de Foley Malu Sousa

Desenho sonoro Victor Jaramillo, Vitor Cozilos Vitor, Ayrton Pessoa Bob, Clau Aniz e Marta Aurélia

Operação de câmera Breno de Lacerda

Operação de drone Gustavo Portela

Elétrica Cosme Facundo e Jorge Silveira Brasil

Maquinaria e cenotécnica Blauyer Gadelha  

Operação de áudio guia José Mansour Bulbol Neto

Camarim Ana Maria Silva de Sousa

Texto Ana Luiza Rios, Ayrton Pessoa Bob, Clau Aniz, Felipe Damasceno, Fran Teixeira, Honório Félix, Levy Mota, Loreta Dialla, Márcio Medeiros, Marta Aurélia, Renan Capivara, Sarah Nastroyanni, Vitor Cozilos Vitor e William Pereira Monte

Colaboração artística Alexandro Silva de Jesus, Cacique Pequena, Érica Zíngano, Kaká Werá e Marcos Felipe Vicente

Still Jamille Queiroz

Arte gráfica Yule Bernardo

Produção No barraco da Constância tem! e Teatro Máquina

Co-produção Marrevolto filmes